domingo, 21 de agosto de 2022

Rampa móvel para degraus de 5 a 19 cm para acesso de cadeirantes

Esta rampa móvel é compacta e pode ser instalada e retirada por apenas uma pessoa

Para quem acha complicado pegar um modelo em 3D e mandar fazer uma rampa para promover o acesso de pessoas em cadeiras de rodas, descobri uma alternativa incrível e eficiente! Nas buscas por empresas que tenham experiência na fabricação de rampas para cadeiras de rodas descobri a Metal Romana (www.metalromana.com.br) que tem sede em Presidente Epitácio, interior de São Paulo. Navegando pelo site da empresa descobri a Linha Acessibilidade deles, que conta com diversos modelos de rampas específicas para cadeiras de rodas, desde dobráveis para superar calçadas sem rebaixamento até compridas para colocar cadeiras motorizadas na traseira de vans. 

Linha Acessibilidade no site da Metal Romana

Dentre os modelos disponíveis, o que mais me interessou foi um que curiosamente não está no site, mas sim à venda no Mercado Livre (https://produto.mercadolivre.com.br/MLB-2696665528-02-rampas-degrau-fixa-aplicaco-diversa-rdf-1400400-ac-_JM?quantity=1&variation_id=174724394403). Feita em aço carbono e composta por duas partes, ela tem originalmente 1,40m de comprimento por 80cm de largura, não precisa de apoio central para aguentar até 150kg e pode ser facilmente instalada e retirada por apenas uma pessoa. 

Rampa móvel em duas partes disponível no Mercado Livre

Porém, um detalhe me chamou a atenção: a maioria das rampas produzidas pela empresa não seguem o padrão da NBR 9050 e a sugestão deles é que sejam utilizadas com ajuda, ou seja, o cadeirante deverá ser empurrado para vencer o desnível no qual a rampa é instalada. Entrei em contato com a empresa e quem me atendeu foi justamente o dono, Zé Fred. Expliquei para ele meu projeto Sem Degraus, dei o endereço do site e começamos a desenhar um modelo de rampa mais completo e seguro, que atendesse vários tamanhos de degrau e fosse segura, dentro dos parâmetros da NBR 9050. 

A rampa móvel após instalada não interfere na faixada nem ocupa indevidamente a calçada

Ele criou então um modelo alternativo à rampa disponível no Mercado Livre, com 10cm a mais, portanto 1,50m de comprimento, e com guias de balizamento, superfície antiderrapante, superfície em EVA para ficar fixa no lugar e ainda um parafuso em cada ponta para ficar ainda mais firme, se necessário. Desta forma, este modelo atende degraus de 5 a 19cm sem ultrapassar a inclinação máxima ditada pela NBR 9050, que é de 12,5%. Rampas até essa inclinação podem ser instaladas em caso de reforma e ainda permitem a maioria dos cadeirantes subir com autonomia.

Um problema a menos, um cliente a mais! E ainda, revela responsabilidade social e inclusão.

O fato é que a NBR 9050 é falha, na minha opinião. Ela não prevê as rampas móveis, o padrão exigido pela norma é rampa fixa com inclinação de 8,33%, com guarda corpo, corrimão em duas alturas, piso tátil e inscrições em braile. Obviamente, uma rampa assim fica muito cara e ocupa um espaço muito grande, além de interferir na faixada e no espaço disponível no interior da loja, já que o ideal é que seja feita para dentro, pois na calçada a legislação municipal não costuma permitir. 

Após desmontada, ela cabe em qualquer cantinho, pois é compacta e estreita

Qual a solução então? Não fazer nada, é o que a grande maioria faz. Ou criar uma alternativa, como uma rampa fora da norma ou uma rampa móvel! Essa última pode ser dentro dos parâmetros da NBR 9050 e servirá para pessoas em cadeiras de rodas ou pais com carrinhos de bebês. Não são indicadas para deficientes visuais ou muletantes, pois não tem corrimão. De qualquer forma, é um pontapé inicial na necessidade de acessibilidade, e pode despertar em comerciantes a necessidade de ampliar ainda mais o acesso a pessoas com deficiência. E assim, termos um país mais inclusivo, com cidades mais acessíveis a todos.

segunda-feira, 1 de agosto de 2022

Como calcular as dimensões de uma Rampa Móvel de Acesso para cadeirantes


A maioria dos estabelecimentos comerciais que não tem acesso facilitado para pessoas em cadeiras de rodas tem apenas um degrau em sua entrada. Isto já é suficiente para marcar o local como "não acessível", e assim deixa de atender uma grande parcela da população, e seus familiares. Muitos comerciantes argumentam que não vale a pena fazer uma rampa, já que não costuma atender cadeirantes, porém eles não vão ao estabelecimento justamente por não ter acesso. Outras vezes argumentam que não tem como fazer uma rampa porque invade a calçada, interfere na faixada ou rouba espaço que poderia ser usado para mostruário de mercadorias.

E qual a solução então? A solução é fazer uma rampa móvel, que possa ser colocada sobre o degrau quando necessário, permitindo assim o acesso de pessoas em cadeiras de rodas, que podem fazer suas compras normalmente, e ao sair a rampa é colocada novamente para que a pessoa saia em segurança. 


E que regras uma rampa precisa seguir? A norma NBR 9050 define os padrões que uma rampa deve seguir para permitir que pessoas com deficiência utilizem com autonomia. Ela se baseia no conceito de Desenho Universal para garantir que pessoas com vários tipos de deficiência acessem os locais com autonomia, conforto e segurança. Para tanto, uma rampa deve ter inclinação de 8,33%, sendo permitido até 12,5% em casos de reforma. E a rampa deve contar com guarda corpo, corrimão em duas alturas, piso antiderrapante, sinalização tátil e braile. Porém a norma não considera as rampas móveis, estes padrões são para rampas definitivas. E se formos propor a algum comerciante que siga todas estas normas, não fará nunca uma rampa definitiva. 


Uma rampa móvel, porém, permite resolver uma parte do problema. Deficientes visuais, muletantes, amputados, e pessoas com mobilidade reduzida leve conseguem subir um degrau. Um cadeirante, não. Por isso estou focando neste público para o desenvolvimento de rampas móveis. Um comerciante que aceite mandar fazer ou comprar uma rampa móvel, começa a entender a necessidade da acessibilidade e o quanto ela pode alavancar seu negócio. Para facilitar, estou usando a inclinação de 10%, que está dentro do limite da NBR 9050 e permite um cadeirante utilizar sem ajuda.

Uma rampa móvel para vencer um degrau de 15 centímetros, por exemplo, considerando inclinação de 10%, precisará ter 1,50 metro de comprimento por 90 centímetros de largura. E precisa ter guias nas laterais para impedir que a cadeira caia. Dessa forma a rampa fica compacta e pode ser guardada atrás de uma porta, no fundo de uma sala ou até pendurada na parede.


Portanto, o cálculo para definir o tamanho da rampa é simples: para degrau de 15cm, 1,50m x 90m. Para degrau de 16cm, 1,60m x 90m. Para 17 cm, 1,70m, para 18cm 1,80m e por aí vai. E de que material a rampa deve ser feita? Para ter resistência e leveza, o ideal é ser feita de metal. A estrutura pode ser feita de ferro e a cobertura de alumínio. Ela deve aguentar até 150kg, pois considera o cadeirante mais a cadeira de rodas.

Folder do projeto para ser apresentado a proprietários de estabelecimentos comerciais:

https://docs.google.com/document/d/1xZKbbx8rhUOXM21eYyazgeRsFLTegR_j/edit?usp=sharing&ouid=107935520771816279355&rtpof=true&sd=true

Segue abaixo link para um projeto de uma rampa de 1,50m por 0,90m com 15cm de altura feita no Sketch Up:

https://drive.google.com/file/d/1H9eeTr3r34fFkqCm8M246q4rpIamu1Wm/view?usp=sharing

Abaixo link para as imagens da rampa para degrau de 15 centímetros:

https://drive.google.com/file/d/1fb-moBPIDy1a7YFMO1BiHcr2J_A4qtRb/view?usp=sharing

https://drive.google.com/file/d/1LmlXSKuHfwrRaynm_y7nW31x4knUOdS7/view?usp=sharing

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